NÃO GOSTO DE ESCREVER NO ESCRITÓRIO- Livro EXTRAGEMA
- Valter Rogério

- 7 de jun.
- 3 min de leitura

Parece que perdi você no quarto
No abrir e fechar da porta.
Perco você, como também me perde
Sem dizer que ao partir, te amo.
Você pode solucionar minhas dores, mulher
Arranhar minhas costas na futilidade de passar
Com as mãos no que tenho guardado
Entre os prazeres do corpo seduzidamente:
Nem o sol nem a lua podem fazer
Mistérios Sem tua companhia ao meu lado.
Põe nos seus braços meu amor agasalhado,
Aperta-me no meio está sensualidade livre:
Faz tanto tempo que nos vemos
Mas nunca nos tocamos; nossas bocas
Nem vimos nosso beijo acontecer.
Mal percebo o trem está partindo
Ilusões deslizam estrelas no carrossel da história
Não sei o que fazer? Você está partindo...
Via-Láctea meu amor é de tão secreta limpidez.
Venus está no caminho aflorado pela beleza
Marte é meu planeta, planeta de morada.
Permaneço acordado, penso fumar um cigarro
Mas não consigo dormir; estou perdendo você.
Não está do meu lado; não entendo!
Faltou beijá-la, despi-la e amarrar seu corpo com o meu,
Pormeio a desencontrar cidades e subúrbios
De nossa infinita e longa caminhada na estrada.
Não quero nunca mais guardar meu amor
Nas gavetas de qualquer armário empoeirado.
Seria tão mais fácil se tivesse abraçado você
Com carinhos e abraços agasalhados apertados
De amar brincar e escorregar no desejo ofegado.
Como brilho de um cometa luzindo
No despertar de uma manhã infinita
Perdi com timidez no tempo de não ficar contigo
E contrariar meu atestado de ser atormentado
Porque não fui capaz de querer seu abrigo.
Mas se o amor tivesse ficado preso a você
Como escravo do desejo subterrâneo opiniões perdidas,
Na arquitetação contraditória das ilusões acontecidas:
Meu ser confidencia, o quanto venho tentando ser gente
Um consternado carrossel de estrelas afagando o céu
E seu silêncio inundado de mistério interestelar.
Como brasa terrafogueando ao pé do fogão de lenha
E seu aquecer no braseiro do fogo aquecida conspiração.
Mas quando percebo estou sozinho de novo
E não contive em soltar meu impulso de gente,
Gritar no meio da rua; que sou um homem cabisbaixo
Um ser faminto pelo afeto de conservação; engate de energia
Do corpo embutido na vitalidade no chão da terra.
Tenho andado despercebido que nem pude dizer amor
Como o sol que aparece de manhãzinha no escuro
Contido e vai esconder-se na boquinha da noite.
Uma lança do espaço afugentou meu medo
Estou preso a você; a esse desconhecido contigo.
Como encontrar-me nas tormentas do subterrâneo
Atentado em abrigar sobre a existência cotidiana
Insipida a fugacidade contemplada no tempo perdido.
O mormaço está tão quente e despercebido na floresta
Que nem pude dizer, como o amor é um céu infinito.
Beberia água do suor salgado, estigmatiza minha língua e guarda
O entardecer triste fiquei agarrado na isenção de valores.
O incenso queima no quarto do mundo patchouli
Recorda-me seu brinco de pérola e nem pus a mão no seu ouvido?
Olhos escarlates, bolsa de sonho escolhido olhar da minha vida.
Mas estou seco de emoção, a boca está molhada;meu amor deserto.
Confesso que tive medo de ficar preso a você
E tornar-me um homem ser ambulante;
Mas isso incomodaria muito, aos meus ouvidos.
Mas não seria seu escravo, nem servente
Apenas um simples trabalhador operário
No construir e burilar com as palavras
Um mundo solto mudo e cheio de sons arquitetados
Em fantasias compassadas pelo arroio dos campos trigais.



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