ROSA DA BALA CEDRAL- Livro EXTRAGEMA
- Valter Rogério

- 17 de mai.
- 2 min de leitura

Rosa tinha no coração um mundo de doces e balas
Certo sorriso enigmático de pura pureza alegria e felicidade
Concisa no sol inquieto do imperador Japão nascente.
Por muitos anos ao descer a ladeira da rua Nicolau Maffei
Na última sexta-feira do mês, tinha parada certo costume
No final das tardes aquecidas de minha Prudente sem fim:
Bala Sete Belo palitinho de chocolates e dadinho amendoisado
Certo de que o menino apareceria com seus vinténs de cruzeiro:
Então sorria para mim como um mundo sem fim encantado.
Quando não aparecia em vê-la e sentir o barulho de seu caixa
Ficava tristonho pois além de não ver o sorriso de Rosa
E sua gentileza contida nas tardes ensolaradas
Corroía minha angústia e lombriga velhas do desejo
Que partiam meu paladar ao perdido acaso acontecido
De poder chupar as balinhas e os palitinhos achocolatados
Que mal continha meu sonho de mero paladar encantado.
Sempre tentei ela para ensinar-me a fazer o amendoim japonês
Dava risadas comigo e dizia segredo de família herança de vida
Você nunca vai poder fazer; pois a panela tem mexedora
E o fogaréu do calor poderá machucar esses seus olhinhos
De criança carcomida pela soda malvada de solidão ao acaso.
As vezes quando volto a passear na cidade de Prudente
Passo em frente da loja Balas Cedral e sua clientela aquecida,
Olho nos corredores carcomido pelo tempo infinito
Avistava os familiares tocando o negócio na frente acontecida.
Certa vez numa tarde chuvosa e friorenta como sempre fazia
Entrei na loja esqueci que não tinha os vinténs a pagar
Chupei bala; comi uns dadinhos e ao chegar no caixa a pagar
Passei a mão no bolso e fiquei nervoso até demais por ser:
Olhou-me bem no fundo de meus olhos verdes esbugalhados
E combinou-me que depois eu acertaria com ela este conceito.
Aquele dia demos risadas juntos e aquela mulher foi amiga
Companheira de um menino que sabia assim ser sabido.



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