APRENDIZ DE ANDARILHO- Livro EXTRAGEMA

para Paulo Leminski
Vai cedo diante da tarde caminheiro
Banzai da esperança canhestra.
Não vais ficar mais no tatame
No carro de boi roda cantante
Ou pular do morro de asa-delta
Nem beber cerveja na Alquimia inexata
Não vais mesmo querer ficar parado
Quietinho sabidinho silenciosinho
Morando rumo ao teu país sol.
Vários amores já ficaram e passaram;
Outrora não vai mais brincar de pião
Soltar papagaio bolinha de gude
Cama casinha e comida ao chão:
Nem colher teus insetos amordaçados
Para rumo do teu sofrido povo povareu
Horizonte infinito; quietude do amor.
Deixas-te de brincar de conversas
A soltas " Caprichos e Relaxos"
De cavar ouro no fundo do quintal,
Certo em ser guarda noturno das esquinas
Fumando e exalando a fumacinha da vida
Aos perigosos seres que cravam na veia
O sabor e perigo, dessa vida de arribação.
Tiveste mulher, livro e muitos amigos
Guardados sonhadores amores e semente ilusória
Na insensata realidade comparado
Ao teu sonho de luxúria polvoralesca
Que o rio da vida levou.




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