CIPOLA, CORTE ANÉIS DA CEBOLA- Livro EXTRAGEMA

para Ariosvaldo Cipola Junior
Desde criança e ainda menino contido aprendiz de carteiro andarilho
Sendo jovem com um furo e uma sonda na barriga conheci Arizinho.
Olhos de jabuticabas acesas coração de mel e pertubador das abelhas
Eterno companheiro de minha vida de criança mirim infantil e juvenil
Destoado acaso sem pensar,nem querer ser nada: tive meu caro amigo.
Filho único de um casal de Prudentinos, pais e mães espanholados
Simples atinamos aprendendo crescendo sorrindo felicidade
Estudando e gostando de ser saber e viver sendo a liberdade.
Todos os dias de manhã ele me chamava do lado do muro de sua casa
Para irmos estudar na escola estadual Prof. Adolfo Arruda Melo:
E partíamos comigo juntos eu e meus irmãos para abrigo de ser;
Sempre na ladeira da rua Tenente Nicolau Maffei com livros cadernos,
E no pátio na escola ficávamos separados com amigos e colegas
Repleto de muitos alunos sendo sempre comédia de soltas algazarras.
Logo quando voltávamos das aulas escolares a risada toda era geral,
Almoçávamos nem bem a digestão do almoço acontecia na correria
Eu e meu amigo libertino inquieto arrumando o que fazer do nada
Diante desta vida escancarada de harmonia clandestina subordinada.
Tudo no quintal ficava em liberdade sublime rendição da vadiagem
Para eternamente brincarmos; não sei nem muito bem adentrar
Onde lembrar de nossas traquinagens acontecidas na cidade a ficar:
- Outrora tinha o orgulho clandestino e um gênio arco-íris Prudentino.
No Natal perguntava-me qual o presente que desejava e queria ganhar!
Danado pedia ao seu pai para comprar o brinquedo almejado por mim
E na madrugada Natalina ficavamos no livre chão do quintal
Atinadamente, durante e depois da ceia de natal, era meu papai Noel:
Camarada companheiro fiel ao presente sempre sincero secretíssimo;
Todavia brincar; mas ninguém podia saber sobre este segredo natalino
Eterno era certo este momento adestrar e domesticar a companhia:
Mas ele não me entregava nem dava o brinquedo para ficar comigo
Era para sempre ficarmos juntos atinando bolindo sóis tempo passar.
Fomos comparsas passageiros : ele e meus irmãos William e Ivan.
E a vida começava na dispersão dissecando-se inventividade:
Papagaio linhada perigosa e correria nas tardes ensolaradas a céus
Em manhãs de férias afins no verão ou outono cabisbaixo de frio.
Acordávamos às sete da manhã até de noite no corre e corre das ruas
Fazendo papagaios e rabiola de pipas cigana brincadeiragem;
Euforia geral e gargalhadas quando caçamos os objetos voadores
E a linha afiada em alto céu escancarado; era a guerra de mundos
Coloridos papéis imaginação incandescente flutuação de olhar ao céu;
Até no telhado das casas subíamos para fugir dos obstáculos fios
Da energia elétrica e na correria quebramos diminutas e várias telhas,
Ele no telhado de sua casa e eu no da minha foi quando certo dia
Na euforia de liberdade libertinagem do papagaio que o danado
E debicando tanto a pipa,despencou na valeta do corredor furado.
Acho que foi quando comecei a olhar para o céu e o infinito apontava
Para o azul das nuvens algodoada sublime desejo no horizonte
De soltar a vida perpetuada no tempo que não sabia que se passava:
E tudo foi rápido veloz que fiquei e fico até hoje relembrando
Imaginando como foi maravilhoso este encantamento de nosso viver.
As folhas de papel de seda espalhadas pelo chão de nossos quartos
E dado a um tempo apenas quando chovia aquietávamos ficar
No comodo da casa papagaios e Dona Nica avó, brigadeiro comermos.
Depois começamos a criar peixes dos córregos das águas de Prudente;
Os guarus lambaris cascudos lebiste de assolados tanquinhos
Nos quintais das casas dos amigos e colegas de vadiagem repentina;
Metido a pedreiros " Doidinho", "Menino do Engenho" "Fogo Morto"
E muitas paredes que racharam com as construções de cimento e tijolo
Malfeitas malfadadas e inacabadas torturadas de falsa engenhosidade.
Na vila a molecada numerosa e as peladas de futebol aconteciam
Com incessantes brincadeiras nunca paravam, sempre tinha graça
No que fazer e mudar o viver com competência e habilidades febris.

Quando cansados da rua corriamos para futebol no quintal dos Farias
E cobriam o chão com palha de café da torrefação do Café Pinho,
Onde a pelota rolava com os gritos de gol e alegria do popular esporte.
Chegava a hora de jantar e depois caminhar na rua noturna brincar
Mamãe da rua e esconde-esconde pega-pega cobra cega roda garrafa;
De vez em quando alguns tapas e valentia de casuais briguinhas
Fatos diferenças pessoais, mas tudo acabava em companhia
Todos os meus colegas me respeitavam, cuidavam de mim o sodinha
Que abrigava no estômago uma sonda perfurada na barriga sustentada
Dos constantes engasgamentos do esôfago judiava ainda muito cedo
Desde menino e vezes; até com o milho ou um pedaço de carne,
E nem a água não conseguia minha sede embevecida angustiado caos,
Engasgado forçava bebe-la,porquinho da Índia grunhindo a sonhar.
Mas a vila foi ficando pequena e chegou o tempo de andar de bicicleta
Pela cidade enfurecida aquecida do infinito sol doido do centro oeste:
Papai deu uma bicicleta para os três irmãos;fiquei acabrunhado
Com tal situação; queria uma bicicleta exclusiva para mim;
Atrelei-me no fundo do quintal de casa, doía como desejo ambicioso.
Foi então que Arizinho apareceu perto de mim e disse:
Valti não tem problema ; a minha bike é sua também, e nós vamos Alternar quando você estiver pedalando em liberdade acontecida:
Eu vou na garupa e a gente troca de lugar, vice e versa pedalaremos
E contudo chorar secava-me num balde de vergonha acontecida
Diante de um egoísmo inevitável de meu ego no centro do mundo.
Acompanhava andávamos avoados pela cidade afora, esquadrinhados
Começamos a procurar os sítios do Córrego do Laranja e do Veado
E então comemos alguns frangos galinhas cachos de bananas goiabas
Dos sitiantes comíamos coletivamente cheio de manhas e manias,
Quando o cacho de bananas amadurecia deus do céu cascas na folia
Mas no final todas frutas eram comidas e seu paladar sendo o melhor
E prazeroso do mundo como molecagem em cidadania divertida vida..

Depois o calor de Prudente e a quentura inevitável ardia no asfalto Partíamos para nadar no Córrego da Onça e do Mandaguari,
Pelados sem vergonha ; escolhemos o colega da pirosca maior,
Demos o nome de rola o mais famoso e grosso calibre: Zé mandioca.
Na rua da vila aos sábados meninas, a andar de shortinhos pregados
E ficávamos sentados no muro da vizinhança esperando passar
Pelas calçadas esperando suas sensualidades e angústia do desejo:
Era comum pelo devaneio da sensualidade na cobiça humana
Enquanto sentadas em cima do muro com short curto sobressaia.
Ficavamos caolhos quintal do vizinho ,meio as folhas das mamonas
Alguns garotos poetizavam suores alusivos refutações
Perfurações aquecidas na mão peluda cheia de calos e transpiração.
Foi que o colega velho mostrou o caminho da zona de meretrício,
Até que chegasse a policia espantava a todos e nós voávamos daquele Lugar dando risadas como se nada tivesse acontecido
Perdido esquadriados gaviões escarafunchadores da euforia geral:
O amigo sempre estava do meu lado, mesmo depois de muito tempo,
Percebi ser ele também um irmão carinhoso que tinha perto de mim.
Quando eu engasgava dizia: não liga não cara depois que desentupir Sua goela vamos até o bar do Dante e te darei só uma paçoquinha,
Para você não acostumar em ficar engasgando e ganhar meus doces.
Pois eu nem bem sabia se sorria ou chorava, lamentava comigo
O de frango grunhindo e forçando para o alimento passar corpo abaixo
Sem medo e sucesso absoluto por dias e horas a contento do viver.
Fazia chuva sol inverno verão outono primavera , ouvia seu chamado:
-Valti do outro lado do muro, e pulava dentro no quintal da casa;
Desde então a ficar e vivíamos juntos como família e amigos traslados
De um tempo passou velozmente sem marcas de tristeza e infelicidade
Sofrimento, como encontrava-me na perturbadora estenose cáustica.

Mas o tempo passando e ruidosamente fomos mostrando a fatalidade
Deixar de ser menino contudo esperávamos na semana chegar sábado,
Há noite para vermos a bandinha Sete de Setembro: coreto da Catedral
E descanso infestado euforia geral, chegar o domingo para desfrutar
Da matinê no Cine Presidente naquele encontro de magia do viver
Vivificado e seu enredo intermitente acontecia acompanhar meninas
E meninos que passeavam dentro do cinema: uma Hollywood perdida.
Mundo fantástico da vida tridimensional: balas de café, paqueração
O lanterninha vigilante de qualquer atitude que ferisse bons costumes
Urbanos e também nas andanças lugar que dava aquela sensação
Da sensualidade e força de queixume da libido sobre olhares acesos
Em volta das cadeiras enfileiradas e o rosto com aquela piscada dava
Sinal do beijo; pois quando as luzes apagavam no gigante auditório
Cada um corria para ao lado da menina e sentar próximo acontecer
O beijo emancipado na certa excitação perna tremendo de tesão.
Sentados ponta da fila a correria atraia, fazia-se muita anarquia
Até começar o filme todo mundo aguardava a companhia discreta.
Contudo a puberdade e começamos a ilusionar falsificar a carteirinha
De estudante para podermos frequentar filmes da maioridade.
Caderninhos de besteirol e pura insensata e saudável afetivação.
Chegamos ao ensino médio e os povos do mundo revelaria
Acirrava de fazermos uma mudança em nossos comportamentos,
Certo não queríamos morrer nem ser como nossos pais e familiares.
O professor de História mostrou a opressão e imperialismo exploração
Na América Latina inseridos no cinturão de milhões de humanos
Agoniados perante a estética da fome e cívica desigualdades sociais.
Contudo pensamos em mudar o curso do rio e nadar numa correnteza
De verdades fizemos o jornal cisco como ponto alto da voz libertina
Da opressão e resistência cultural que perseguiu homens inteligentes
E mulheres que foram obrigadas a serem exiladas da grandiosa nação.
Intelectuais artistas políticos do estado de direito democratico
Mundo obscuro poder mais que todo mundo sem nenhuma Justificativa e agrediram a todos invadiramm lares sem poder conter
Contudo hoje queria que o país desse colo a eles recebessem amor.
Mas permanecia fragilizado pela soda queimou meu corpo jovem
E com o tempo acabei conhecendo os presos e presas encarcerados
Pesadelos na memória do cárcere como educador de adultos presos:
Conheci o terror do cheiro que está nas grades calabouço das vidas
Malfadadas de queixume e arrastados seres arregrado chão de terras,
Há quem pertence ao direito de telas e adquiri-las de pai para filho
Herdeiros proprietários de uma cultura agrária que compartilhou
A não ser a hereditariedade posses para ficar com terrachão deserdada.
Ficamos jovens cabeludos calça boca larga sapato plataforma
Brincadeiras dançantes nos quintais das casas dos colegas e amigos
Certo demais a euforia e acontecimentos de namoros acasalados
Que aconteciam abraços juntos a dançarem de desejos leais.
Incerteza à menina loira de cabelos loiros e lábios carnudos roliços,
Que acabou deixando o rapazinho apaixonado e presenciei aos prantos
Amor platônico sentimento que nos faz virar de cabeça para baixo:
E amava sem saber porquê e entendeu que passava de ilusão contida
Se ela não te quer outras vão te querer e assim fica o entender a vida.
Seu chorar gigantesco e com a touca do medo fiquei pavor danado
Malfeitor acontecer a insensatez que não conseguimos explicar.
Chegou o tempo de fazermos faculdade e irmos embora de Prudente
Nunca seríamos os mesmos com profissões diferentes e a distância
Como o tempo e o espaço térreo a ser , marcaria um rastro infinito.
Ele tornou-se jornalista e começou trabalhando no Jornal Imparcial,
E virou pai e casou por força do destino escarafunchando ruído:
Fiquei procurando a poesia sem saber que profissão ela seria
Lamentando acordes com a música diante da cultura do silêncio sóis
Como uma mutante ovelha negra desgarrada do rebanho oferecido.
Seu pai quando nos encontrávamos dava aquela risada ininterrupta
Foi alfaiate vendedor de livros e fumava bem ; os homens da época.
Até que numa viagem ao Paraguai o acidente fez com que perdesse
Sua esposa Dona Nena, e foi tudo muito assustador rápido movediço
Impreciso contido, depois de certo tempo ele veio a falecer
Num asilo de velhos no estado da Alagoas na cidade de Maceió.
Todavia encontrávamos era como tudo permanecesse do mesmo jeito
Mesmo quando foi morar em Maceió correspondente jornalístico
Do jornal Folha de São Paulo, onde foi trabalhador deste ofício:
Teve um infarto fulminante e não deu razão para nos despedirmos.
Mas quando nos encontramos em São Paulo e tomamos um café
No terraço Itália e abraçou-me num raro momento fomos tãopouco
Como se o mundo fosse equidistante e fazíamos de ser memorável




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