IRACEMA-LivroEXTRAGEMA
- Valter Rogério

- 25 de jul.
- 2 min de leitura
Iracema tinha os olhos encantados
A beleza dos deuses e santos nordestinos
Mas também sempre consigo usar e abusava
Um eterno lenço vermelho amarrado na cabeça.
Fazendeira do Mato Grosso do Sul e dizia fazia
Cinco horas da manhã o dia nascendo:
Tabaco preto velho cão danado de bom
Vai arrear os cavalos pros meninos
Pegar verdura na horta, lenha pro fogão
Milho para as galinhas e tratar dos porcos
Pois o capado logo-logo será amordaçado
E carneado para todos comerem familiação.
Esbelta e elegante andava toda na sede da fazenda
Com um condão na mão e todas ordens dava:
Acorda povo, acorda gentalha amordaçada:
- Passarinho que não deve nada a ninguém
Já está a voar antes mesmo do amanhecer.
Tinha alegria de brasa acesa em fogo reluz
E a loucura dos homens comuns cidadãos
Abrazados de pura alegria e felicidade.
Como gostava da mulherona Iracema
Minha querida tia de alfenim- jasmim;
Fazenda Mimoso e mimosa pessoa
Grande diamante azul do coração.
Mas certo dia plúmbeo e assobradado
Ficou tão triste , que foi tudo ao fim:
Jerônimo arrumou um quebra-galho
Deixando-a de ser primeira dama.
A idade foi avançando, as terras da fazenda
Voaram de seus pés, do sonho rural a urbana
Gente que do dia para a noite assim virou e ficou.
O lenço vermelho acabou ficando amarelado
De temporalidade e nuanças da contenção em vida
Que torta vivacidade sua vida foi ficando esvaecida
No tempo e na necessidade de esquecer o mundo dominado.
Minha tia foi uma das mulheres mais forte e valente
Que já vi diante desta vidinha besta de pau-a-pique.
Contudo foi se perdendo no meio da casa
E a indesejada vigência mundana a levou.
Nunca mais enxerguei nem ouvi Iracema gritando:
Bom dia povo fazendeiro Nogueirada e Ruizada
‘Acorda Iracema bonita, levanta vai fazer café
Que o dia já nasceu e vem raiando
Mas sua vida inesquecível ficou de pé.




Comentários