NINHA-Livro EXTRAGEMA

2 de ago.
1 min de leitura
Aprendeu a ler e escrever sozinha
Quietinha e linda vertigem do saber.
Do meio do mato e na fazenda
Seu marido era tratorista e peão
Que mal sabia somar e subtrair.
Mas era valente para o trabalho
E nem preguiça o bicho tinha.
Ainda ontem peguei na fotografia
Que aparecia Ninha escrevendo
E Jamil chorando de vontade.
A linguagem é como arame
Farpado e mais poderosa argila
Para barrar e bloquear o ser humano
Que não sabe ler e escrever;
Do que libertá-la do acesso tendo
E contendo os direitos do poder.
Dizia ela assim como uma mocinha
A língua fala e linguagem
Não é para qualquer cego em vão.




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