PRUDENTE PRESIDENTE E OS ARRANHAS CÉUS-Livro EXTRAGEMA

Querida e velha Prudente citadina fazenda terrachão da esquina
Já não te vejo mais rural urbana e apequenada assente gente
Como os coronéis de nossas terras, Marcondes e Goulart.
Nem arde mais diante de meu ser imemorável fulano
Ao aquecer doido e ardido de teu sol insustentável.
Como ficou grande diante do mundo cabisbaixo sóis
E teus olhos afrontam aquietar-se ao mural inquieto
De uma urbanidade desenfreada ao consenso humano.
Washington Luiz veio crer em 1921 que seria possível
Crescer e desenvolver seu serrado em cidade valente,
Mesma política do café com leite acertado destemidamente
E certa comemoração de tua súbita existência acontecida.
Sempre que possível subia a ladeira da Rua Tenente Nicolau Maffei
Dava uma voadeira no centro da cidade, comia esfiha do Tio Patinhas
E desapercebidamente olhava as vitrines de suas lojas comerciais:
Os óculos da loja Ciabattari e sua primeira vitrine espelhada;
Tinha desejo de comprar vários deles, mas apenas tenho dois olhos
Para enxergar e uma cabeça cheia de pensamentos arrecadados.
O cheiro de couro arreios fivelas gerais da casa Humberto Salvador
Sempre sentado assolando um sorriso escancarado a quem entrasse;
Mais parecia uma loja filmes encantados do Faroeste Hollywoodianos
E os sitiantes fazendeiros compravam utensílios montaria de animais.
Alguns deixavam os cavalos na Praça Bandeira e caminhavam a pé
Vestido de cowboys e esporas nos sapatos como John Wayne Western
No coração arrematado da capital do Centro Oeste Paulista.
O Sr. Seppa e sua mulher que no dia das crianças cotidianamente
Na voz do tempo registrava fazendo a programação da “Sertaneja”
Para a população inteira da cidadezinha amiga brincar festejar
Onde muitos delas e deles ouviam e viam sua musicalidade
Romper os céus como trovão e em raios solares angelicais
Aguardando sua bondade de beleza humana para afrontar a tudo,
E todos que o aquietassem sua libertária existência humana.
Quantas vezes passava em sua loja e estava tocando
Um bandolim ou uma música que alegrasse os ouvintes.
Foi a primeira vez que avistei um violão numa vitrine
Sobre o reflexo da beleza encantando aos olhos do menino
Fiquei acometido ao violão Trovador desde os treze anos de idade;
Onde mestre Zito Baiano ensinou-me os primeiros acordes musicais
Vencido no tempo almeja que hoje assola uma cidadania vencida.
Papai deu-me de presente um cassetete que memorava
A ação Integralista que historicamente rompeu em teu
Outubro de 1932 deu-se o “Comando de Insurgência”
“Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”
Chão aguerrido politicamente de homens em soldados
A uma campanha cultural moral educacional clara
De ideias definidas por um pifio ideal patriótico subentendido.
A expansão das colheitas do Café e Hortelã em nossas lavouras
Atraíram os Italianos Japoneses Espanhóis Sírios Libaneses
Camponeses que sonhavam e almejavam querer em poder
Ser proprietários de terras; alguns até conseguiram obtê-la,
Mas tudo foi muito difícil e ficaram apascentados na ilusão destemida.
Meu avô Alberto Marochio com seus olhos azuis infinitos
Em sua pensão na hospedaria que ficava na rua Dr. Gurgel
Criou seus filhos e filhas trabalhando nela, e recordo:
Servia comida paga aos presos da cadeia pública central.
O Hotel Municipal era o palco dos senhores ricos
Que também habitavam seus quartos e ficavam
Hospedados com suas vestimentas de terno linho branco
E sapatos taca maquis: luxo e beleza humana acontecida;
Sentavam na varanda do Hotel e ali ficavam permaneciam.
Quando passava em frente deste local morria de vontade
De sentar naquele palco bela varanda encantada acontecida.
Não tem como deixar de esquecer aquela obra urbana:
A fachada arquitetônica indescritível construção civil
Como algo inacreditável e impossível de existir a contento
Uma beleza rara e memorável beleza que ofegava a todos.
O bar da Pedra era o palco dos políticos da cidade politicavam
Encontravam-se e ficavam bem vestidos, onde se deu com o passar; Dos anos foi reconfigurando o coronelismo e artimanha da política.
O Chevrolet anunciava nas ruas a chegada das Casas Pernambucanas
Como também os carroceiros viviam servindo bem de manhãzinha;
O leite cru verdadeiro e néctar da leiteria suburbana da cidadezinha.
Quando chegamos à Estação Ferroviária da Alta Sorocabana
As carroças eram o transporte das famílias e moradores;
Bem naquele lugar ficava uma caixa d’água onde os charreteiros
Davam água de beber aos cavalos e alguns carros de boi
Que vinham de Montalvão e dos sítios nas redondezas;
Tudo parecia eterno e acho que nunca essa cena terrestre acabaria.
Mesmo a rodoviária também construída com casas geminadas
Onde o comércio era forte e aquecido na região com toda riqueza
Que tens escondido entre os chãos do subterrâneo térreo campestre.
As charretes também abrigavam a levar e trazer passageiros
Que ali saiam e seguiam viagem mundo afora.
O que me chamava atenção era a casa do fumo de corda
E a tabacaria assentada de homens que fumavam constantemente.
Recordo bem no centro da cidade tinha a casa dos chapéus
E ali aquele homem permanecia durante o dia inteiro no comércio,
De tanto eu perguntar o preço de seus lindos chapéus
Deu-me de presente um clássico Panamá e fiquei rei
Sai andando pelo centro da cidade como ricaço astral.
Depois fomos ficando amigos e fui aprendendo a origem
Dos chapéus e seus estilos marcados pela elegância citadina.
No mês de dezembro a casa Akaki tinha sua glória infinita
Eram tantos brinquedos e tanta gente que eu nem conseguia
Comprar nada, o dinheiro é sempre muito difícil de ganhar.
Na volta para o caminho entrava na casa Balas Cedral
Comprava a bala sete belo e palitos de chocolates; como admirava
Seus proprietários sempre a trabalhar cotidianamente
E o fazer daquele amendoim majestade de sabor magnífico.
Andava muito de bicicleta e a pé por suas ruas memoráveis;
Descendo no buracão da Padaria Super Pão e o córrego
Riacho que fazia daquelas águas catar guarus e jogar bola
Reunião de moleques de muitos bairros em alegoria festiva
Contida de tanta molecagem e aguerrida convivência urbana.
Jamais poderia imaginar que existiria um tempo inesquecível
Todavia uma idade que os anos apagariam toda esta fantasia.
Descíamos em bandos em caminhada até o matadouro
Com estilingue na mão e o bolso cheio de pedras pedregulhos
Caçando pardais rolinhas, calangos ,tudo que mexia no meio do mato.
Foi a primeira vez que um boi morria na minha frente estremecendo
E o capataz com uma marreta solapando na cabeça no animal contido
Cruel e certo era o sangue escorrendo no chão do lugar sacrossanto.
Chegava no sábado era dia da matinê nos cinemas: Cine Presidente
Cine Fênix ou Ouro branco e tantas crianças que as filas eram grandes
E a paqueração era o grande vapor do desejo de amigação secreta.
No domingo à noite depois de ver no coreto Banda Sete de Setembro
Andávamos até a Igreja da Vila Marcondes e a passarela certeira
Em volta da caixa d’água fazia manias e costumes enlouquecidos.
Sempre o viver da vida dos ferroviários e suas falácias acontecidas; Na vila Marcondes e Bar da Bocha o conhaque enfurecia muitos.
Quando bairro por inteiro onde muita gente que vivia e permaneciam
Pelas acidentadas ruas de pedras paralelepípedo que marcava
Aquele bairro como lugar marcado pelo barulho do trem e ferrovias
Quantas vezes as bicicletas em dia de chuva , deslizavam chão abaixo.
Não sei por que venho lembrar deste caso almofadado impreciso ser
Uma memória inconcussa juventude e harmonia radiante com a vida.
O bairro que achava aconchegante era o Bosque cheio de árvores
E oxigenado de um primeiro amor acontecido nesta alma destemida.
Sempre ficava de frente da casa de jóias e olhava onde ficava
O Jornal Imparcial que conseguiu ficar e vencer o mundo céu aberto
Vivos jornalistas ficavam na frente do prédio sempre no final da tarde;
E aquilo me fascinava de mistério e curiosidade como fazia um jornal;
Hoje às vezes quando visito a cidade tenho o filme guardado no bolso.
Cresses-te desenfreadamente por todos os bairros e periferias urbanas
Ficas-te grande e sumiu imensidão de gentes e moradias mundo afora
Gosto de ti, ainda que passar dos anos deixa-me idoso em teu céu,
Mas o calor infinito de teu sol arredio e ainda queima minha pele
Em meu cerne de um filho que foi embora, e ainda pensa no teu viver
E cantar o mundo tua felicidade aguerrida perdidamente memorável.




Comentários