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PRUDENTE PRESIDENTE E OS ARRANHAS CÉUS-Livro EXTRAGEMA

Foto do escritor: Valter Rogério
Valter Rogério
10 de ago.
5 min de leitura

Querida e velha Prudente citadina fazenda terrachão da esquina

Já não te vejo mais rural urbana e apequenada assente gente

Como os coronéis de nossas terras, Marcondes e Goulart.

Nem arde mais diante de meu ser imemorável fulano

Ao aquecer doido e ardido de teu sol insustentável.

Como ficou grande diante do mundo cabisbaixo sóis

E teus olhos afrontam aquietar-se ao mural inquieto

De uma urbanidade desenfreada ao consenso humano.

Washington Luiz veio crer em 1921 que seria possível

Crescer e desenvolver seu serrado em cidade valente,

Mesma política do café com leite acertado destemidamente

E certa comemoração de tua súbita existência acontecida.

 

Sempre que possível subia a ladeira da Rua Tenente Nicolau Maffei

Dava uma voadeira no centro da cidade, comia esfiha do Tio Patinhas

E desapercebidamente olhava as vitrines de suas lojas comerciais:

Os óculos da loja Ciabattari e sua primeira vitrine espelhada;

Tinha desejo de comprar vários deles, mas apenas tenho dois olhos

Para enxergar e uma cabeça cheia de pensamentos arrecadados.

 

O cheiro de couro arreios fivelas gerais da casa Humberto Salvador

Sempre sentado assolando um sorriso escancarado a quem entrasse;

Mais parecia uma loja filmes encantados do Faroeste Hollywoodianos

E os sitiantes fazendeiros compravam utensílios montaria de animais.

Alguns deixavam os cavalos na Praça Bandeira e caminhavam a pé

Vestido de cowboys e esporas nos sapatos como John Wayne Western

No coração arrematado da capital do Centro Oeste Paulista. 

 

O Sr. Seppa e sua mulher que no dia das crianças cotidianamente

Na voz do tempo registrava fazendo a programação da “Sertaneja”

Para a população inteira da cidadezinha amiga brincar festejar

Onde muitos delas e deles  ouviam e viam sua musicalidade

Romper os céus como trovão e em raios solares angelicais

Aguardando sua bondade de beleza humana para afrontar a tudo,

E todos que o aquietassem sua libertária existência humana.

 

Quantas vezes passava em sua loja e estava tocando

Um bandolim ou uma música que alegrasse os ouvintes.

Foi a primeira vez que avistei um violão numa vitrine

Sobre o reflexo da beleza encantando aos olhos do menino

Fiquei acometido ao violão Trovador desde os treze anos de idade;

Onde mestre Zito Baiano ensinou-me os primeiros acordes musicais

Vencido no tempo almeja que hoje assola uma cidadania vencida.

 

Papai deu-me de presente um cassetete que memorava

A ação Integralista que historicamente rompeu em teu

Outubro de 1932 deu-se o “Comando de Insurgência”

“Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”

Chão aguerrido politicamente de homens em soldados

A uma campanha cultural moral educacional clara

De ideias definidas por um pifio ideal patriótico subentendido.

 

A expansão das colheitas do Café e Hortelã em nossas lavouras

Atraíram os Italianos Japoneses Espanhóis Sírios Libaneses

Camponeses que sonhavam e almejavam querer em poder

Ser proprietários de terras; alguns até conseguiram obtê-la,

Mas tudo foi muito difícil e ficaram apascentados na ilusão destemida.

 

Meu avô Alberto Marochio com seus olhos azuis infinitos

Em sua pensão na hospedaria que ficava na rua Dr. Gurgel

Criou seus filhos e filhas trabalhando nela, e recordo:

Servia comida paga aos presos da cadeia pública central.

O Hotel Municipal era o palco dos senhores ricos

Que também habitavam seus quartos e ficavam

Hospedados com suas vestimentas de terno linho branco

E sapatos taca maquis: luxo e beleza humana acontecida;

Sentavam na varanda do Hotel e ali ficavam permaneciam.

Quando passava em frente deste local morria de vontade

De sentar naquele palco bela varanda encantada acontecida.

Não tem como deixar de esquecer aquela obra urbana:

A fachada arquitetônica indescritível construção civil

Como algo inacreditável e impossível de existir a contento

Uma beleza rara e memorável beleza que ofegava a todos.

O bar da Pedra era o palco dos políticos da cidade politicavam

Encontravam-se e ficavam bem vestidos, onde se deu com o passar; Dos anos foi reconfigurando o coronelismo e artimanha da política.

 

O Chevrolet anunciava nas ruas a chegada das Casas Pernambucanas

Como também os carroceiros viviam servindo bem de manhãzinha;

O leite cru verdadeiro e néctar da leiteria suburbana da cidadezinha.

Quando chegamos à Estação Ferroviária da Alta Sorocabana

As carroças eram o transporte das famílias e moradores;

Bem naquele lugar ficava uma caixa d’água onde os charreteiros

Davam água de beber aos cavalos e alguns carros de boi

Que vinham de Montalvão e dos sítios nas redondezas;

Tudo parecia eterno e acho que nunca essa cena terrestre acabaria.

 

Mesmo a rodoviária também construída com casas geminadas

Onde o comércio era forte e aquecido na região com toda riqueza

Que tens escondido entre os chãos do subterrâneo térreo campestre.

As charretes também abrigavam a levar e trazer passageiros

Que ali saiam e seguiam viagem mundo afora.

O que me chamava atenção era a casa do fumo de corda

E a tabacaria assentada de homens que fumavam constantemente.

 

Recordo bem no centro da cidade tinha a casa dos chapéus

E ali aquele homem permanecia durante o dia inteiro no comércio,

De tanto eu perguntar o preço de seus lindos chapéus

Deu-me de presente um clássico Panamá e fiquei rei

Sai andando pelo centro da cidade como ricaço astral.

Depois fomos ficando amigos e fui aprendendo a origem

Dos chapéus e seus estilos marcados pela elegância citadina. 


No mês de dezembro a casa Akaki tinha sua glória infinita

Eram tantos brinquedos e tanta gente que eu nem conseguia

Comprar nada, o dinheiro é sempre muito difícil de ganhar.

Na volta para o caminho entrava na casa Balas Cedral

Comprava a bala sete belo e palitos de chocolates; como admirava

Seus proprietários sempre a trabalhar cotidianamente

E o fazer daquele amendoim majestade de sabor magnífico.

 

Andava muito de bicicleta e a pé por suas ruas memoráveis;

Descendo no buracão da Padaria Super Pão e o córrego

Riacho que fazia daquelas águas catar guarus e jogar bola

Reunião de moleques de muitos bairros em alegoria festiva

Contida de tanta molecagem e aguerrida convivência urbana.

Jamais poderia imaginar que existiria um tempo inesquecível

Todavia uma idade que os anos apagariam toda esta fantasia.

 

Descíamos em bandos em caminhada até o matadouro

Com estilingue na mão e o bolso cheio de pedras pedregulhos

Caçando pardais rolinhas, calangos ,tudo que mexia no meio do mato.

Foi a primeira vez que um boi morria na minha frente estremecendo

E o capataz com uma marreta solapando na cabeça no animal contido

Cruel e certo era o sangue escorrendo no chão do lugar sacrossanto.

Chegava no sábado era dia da matinê nos cinemas: Cine Presidente

Cine Fênix ou Ouro branco e tantas crianças que as filas eram grandes

E a paqueração era o grande vapor do desejo de amigação secreta.

 

No domingo à noite depois de ver no coreto Banda Sete de Setembro

Andávamos até a Igreja da Vila Marcondes e a passarela certeira

Em volta da caixa d’água fazia manias e costumes enlouquecidos.

Sempre o viver da vida dos ferroviários e suas falácias acontecidas; Na vila Marcondes e Bar da Bocha o conhaque enfurecia muitos.

Quando bairro por inteiro onde muita gente que vivia e permaneciam

Pelas acidentadas ruas de pedras paralelepípedo que marcava

Aquele bairro como lugar marcado pelo barulho do trem e ferrovias

Quantas vezes as bicicletas em dia de chuva , deslizavam chão abaixo.

Não sei por que venho lembrar  deste caso almofadado impreciso ser

Uma memória inconcussa  juventude e harmonia radiante com a vida.

 

O bairro que achava aconchegante era o Bosque cheio de árvores

E oxigenado de um primeiro amor acontecido nesta alma destemida.

Sempre ficava de frente da casa de jóias e olhava onde ficava

O Jornal Imparcial que conseguiu ficar e vencer o mundo céu aberto

Vivos jornalistas ficavam na frente do prédio sempre no final da tarde;

E aquilo me fascinava de mistério e curiosidade como fazia um jornal;

Hoje às vezes quando visito a cidade tenho o filme guardado no bolso.

Cresses-te desenfreadamente por todos os bairros e periferias urbanas

Ficas-te grande e sumiu imensidão de gentes e moradias mundo afora

Gosto de ti, ainda que passar dos anos deixa-me idoso em teu céu,

Mas o calor infinito de teu sol arredio e ainda queima minha pele

Em meu cerne de um filho que foi embora, e ainda pensa no teu viver

E cantar o mundo tua felicidade aguerrida perdidamente memorável.

 

 

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PRUDENTE PRESIDENTE E OS ARRANHAS CÉUS-Livro EXTRAGEMA

 

 

 

 

 
 
 

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